segunda-feira, 16 de junho de 2014

Tropa enfileirada

A tropa passou enfileirada, distante, com mochilas robustas. Deviam estar cheias de víveres. Quiçá iriam a algum lugar diferente, subir uma montanha em busca duma vista bonita. Já cansados de tanto enxergar o atrito irritante dos metais raspados no concreto e asfalto. De repente, desejassem em sua partida, criar uma nova forma de existência que não soasse como sociedade.
Eu vi, vi sim, mesmo ao longe, em seus rostos o tédio.
Também havia um grupo de pássaros juntos. Dois pardos, um que não sei a cor e um de tom amarelo e alaranjado. Brincavam na relva, descontraídos, creio, alheios ao barulho da cidade. Estes não carregavam consigo, mais que os grãos que ciscavam, em seus papos. Com sua inerente capacidade de voar, já deviam ter sobrevoado o mundo. Quem sabe, não tivessem casa ou ninho, pois que, não lhes há lugar mais seguro que o ar.
Descrever a natureza, e sentir com as letras, a pujança de seus ideais, eh como louvar a derrota da matéria pelo espirito. Saber que embora humanos e dos outros seres distintos, não somos, em nenhuma hipótese, a glória falsa da matéria e seus sabores artificiais.
Eli Bacellar

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O sim que lhe consome

Surpreende o garoto,e num ato arbitrário, lhe nega o sim que lhe consome.
Sua contradição, confunde a mente do pobre fervente.
Ele quer, a todo tempo fazer-se conhecer por ela, seu libidinoso desejo.
Mas, sempre a vê fugir, no auge da simbiose.
Covarde criatura, relega ao orgulho, à sua qualidade de única, a negação dos próprios instintos.


Eli Bacellar

terça-feira, 3 de junho de 2014

O Sussurro do vento



Tenho escutado o chamado da estrada,
A atração inefável da fuga, que grita meu nome,
A imagem da paisagem que surge e some,
Em uníssono brado, diz: Eli, fuja.
Meu olfato, se desdobrando em lembranças,
Invoca aromas à distância,
Do vapor de brumas naturais.
Na mente, imagens de saudades ancestrais,
O acordar, e ver o teto de outras casas.
Meus pés reclamam de volta a dor dos passos,
Quando, no prazeroso fim da caminhada
Me queixava dos calos, dos calcanhares magoados,
Descrente, ter andado tantas léguas.
O vento agora sussurra meu nome
- E então Eli, vamos onde?
Aguardando a próxima aventura que farei.
Digo então: - Logo logo.


Eli Bacellar